NÚCLEO DO PORTO

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DA UNIÃO E AUTOCRITICA DA ESQUERDA

Após o golpe efetuado pela elite econômica do nosso país, na qual todas as conquistas obtidas nestes últimos 14 anos colocam-se novamente em risco, sujeitas, inclusive, a um retrocesso maior do que talvez sejamos capazes de imaginar, surge necessariamente uma dúvida acerca de todo o processo conduzido pelo Partido dos Trabalhadores, assim como das ações da esquerda, dos movimentos sociais e de todos aqueles que ainda sonham com um outro mundo possível.

Obviamente que àqueles que condenam parte das ações realizadas pelo governo petista ou seu modo de agir, sabendo das inevitáveis armadilhas e desconfianças próprias e inerentes ao poder, seja para apoiar o retorno da Dilma ou para se iniciar um novo processo de luta democrática, sentem um desconforto em participar de ações militantes sem antes realizar uma crítica ao governo ou uma autocritica do próprio movimento de esquerda.

Por este motivo, minha intenção com este texto, longe de querer ser portadora de qualquer espécie de verdade ou caminhos, têm, contudo, a pretensão de trazer ao diálogo algumas reflexões que possam ser um ponto de partida para uma crítica mais profunda, objetivando um fortalecimento da luta de resistência que o momento nos impõe.

EM BUSCA DE CONSENSOS

Acredito, que apesar da necessária crítica que devemos fazer, devemos tomar o cuidado para que não fiquemos absorvidos nela a ponto de, ao invés de nos unirmos naquilo que temos em comum, continuarmos a gerar entre nós disputas e debates com o potencial de produzir um efeito de desunião e estagnação das nossas ações.

A gravidade do momento pelo qual passamos exige, acima de tudo, um fortalecimento da nossa união e daquilo que temos em comum. Nenhum de nós pode aceitar que um governo ilegítimo, fruto de um golpe contra a democracia e o Estado de Direito e, que todos sabemos, reacionário e agente dos interesses egoístas do poder econômico mundial, continue no poder contra a vontade da maioria da população, impondo um regime plutocrático e reacionário, com o objetivo da perda de direitos e conquistas do povo brasileiro.

NÃO AO GOLPE

Portanto, neste momento, e pensando na unidade da luta (por mais que existam entre nós pessoas que venham a defender mudanças mais radicais como uma reforma política imediata ou novas eleições gerais), no meu ponto de vista, deveríamos somar esforços para que, enquanto ainda não concluído o processo de impeachment o nosso objetivo maior e imediato seja o do restabelecimento da democracia e a anulação do golpe no senado, ainda que isto venha ser considerado como impossível.

Passado este momento, seja a presidente Dilma reempossada em seu cargo ou não, deve ainda a esquerda e os movimentos sociais exigirem uma profunda reforma política em nosso sistema, podendo, inclusive, propor a antecipação das eleições.

É certo que este é um posicionamento pessoal e provisório de alguém que não participa da vida política e não possui qualquer autoridade para indicar caminhos ou propostas. Trata-se de uma mera opinião de um cidadão comum, totalmente aberto ao diálogo, ao contraditório e à mudança de posição (se confrontado com bons argumentos), mas desejoso de encontrar pontos que possam unificar a nossa luta. E espero que estas ponderações sirvam como uma motivação para os debates mais profundos que se fazem necessários.

DAVID MOTA - Portuário

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