NÚCLEO DO PORTO

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UM SINDICATO NAS BASES

A classe trabalhadora sempre teve como um grande desafio no encaminhamento das lutas a representação por local de trabalho. A classe patronal desde a implantação da industrialização teve como grande preocupação impedir que nas suas Empresas surgissem grupamentos operários que pudessem colocar em dificuldade o controle das atividades. E no Brasil, ao longo dos anos, os operários mais politizados agiam de modo a mobilizar seus companheiros quando da apresentação de reivindicações que não tinham como base apenas os reajustes salariais. O ditador Vargas, desde que assumiu o Governos nos anos 30 do século passado percebeu o potencial do crescimento das organizações operárias e elaborou um projeto que veio a se transformar na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT. Isto se deu nos idos de 1943. E um dos pontos abordados tinha a ver com o sindicalismo, com a imposição de uma estrutura que fixava o número de integrantes das diretorias. Esta questão por sinal mereceu críticas de sindicalistas militantes no campo político e partidário, mas nesse longo período poucas foram as mudanças. Um fato que inclusive pode ser destacado é que quando da promulgação da Constituição de 1988 abriu-se a possibilidade de alterações, com a ampliação do número de diretores por Entidade de base. Que foi posteriormente contestada pela classe patronal com muitas demissões, prejudicando por certo as organizações dos trabalhadores. Um fato é real, a atual estrutura sindical tem alguns pontos que efetivamente exigem mudanças radicais. A principal é que não há nenhuma exigência para que uma diretoria sindical tenha trabalhadores de todos os setores de uma empresa ou de uma categoria. Como aceitar que nos termos legais, independente do número de trabalhadores e de empresas de uma categoria a direção sindical seja limitada a vinte e quatro associados? E que podem ser trabalhadores de um único setor de uma Empresa. Este é um grande desafio, pois a classe patronal não aceita e nem quer o enfrentamento à partir do local de trabalho. Com a estrutura que organiza, o empregador, que tem a vantagem de poder demitir qualquer empregado, à exceção de cipeiros ou diretores sindicais com estabilidade, dita as regras do jogo. As campanhas salariais e questões como as condições de trabalho ficam difíceis de serem enfrentadas, devendo ser acrescido ainda o fato de haver um certo nível de despolitização da classe operária. O certo é que o militante sindical combativo e politizado precisa o quanto antes discutir formas de conseguir a modificação radical da estrutura sindical, levando em conta que a criação das Centrais Sindicais já foi um avanço significativo. E o ema pode ser colocado como uma bandeira de luta, mas que não fique apenas nas colocações isoladas. É preciso que o movimento sindical combativo promova reuniões, debates, discussões amplas, na busca de uma proposta unificada. Os tempos de hoje mostram a cada momento a especialização do sistema patronal nas mais diferentes atividades. O mesmo precisa acontecer com a classe operária. Este é por certo um grande desafio. Mas todas as conquistas da classe trabalhadora sempre foram difíceis. E as vitórias que foram conquistadas em muitos momentos tiveram custos elevados, com demissões, prisões e outras atitudes agressivas de Governos e da classe patronal. E por certo esta questão não será diferente. Mas temos de dar inicio a essa luta. O quanto antes.

Uriel Villas Boas/Secretário de Previdência Social da FITMETAL/CTB – Coordenação da Asimetal/MAP.LP

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